No passado dia 28 de maio decorreu a sessão «A coleção de livros do Museu Casa da Moeda – ilustradores à volta da moeda» na Praça Vermelha da Feira do Livro de Lisboa. O espaço acolheu uma conversa dedicada à ilustração e ao design, juntando três nomes de ilustradores e escultores ligados à Imprensa Nacional Casa da Moeda: os ilustradores Gonçalo Viana e João Fazenda e a escultora Baiba Sime. A conversa, moderada pela curadora do Museu Casa da Moeda, Susana Domingues, proporcionou uma viagem pelos desafios técnicos e criativos da ilustração. Alguns livros da coleção infantojuvenil e a coleção de moeda do Museu Casa da Moeda foram o mote para a conversa.
Esta ação enquadra-se na vontade de partilha e desmistificação de processos técnicos e artísticos por trás de cada ilustração das moedas e livros Museu Casa da moeda, que assim reforça a sua missão de salvaguarda do património numismático. Iniciativas como a Feira do Livro de Lisboa são fundamentais para a aproximação dos públicos a este património, num ambiente dinâmico e informal.
A sessão abriu espaço à exploração das diferentes fontes de inspiração e dos desafios sentidos por cada artista ao longo do processo criativo. Gonçalo Viana focou-se na experiência de desenhar a moeda comemorativa de Ulisses, lançada em 2025. O ilustrador detalhou o seu processo de pesquisa e inspiração, explicando como filtrou alguns elementos da vasta mitologia grega associada ao herói para o espaço reduzido de uma moeda.
João Fazenda, ao preparar a ilustração do livro «Pés Rolantes: a história vai de patins» deparou-se com um desafio: a linguagem técnica. Partilhou a necessidade de dominar termos específicos da patinagem para os traduzir fielmente para o papel e de acordo com os interesses do público-alvo da coleção de livros. Além da técnica, destacou o valor da colaboração, sublinhando a importância de ouvir as opiniões de outras pessoas durante o seu processo criativo.
A escultora Baiba Sime, cujo portefólio inclui peças como a moeda «Literacia dos Oceanos» (2023), «Exploradores Europeus» (2011) e a moeda «50 Anos da Constituição de 1976» (2026) trouxe à conversa a perspetiva intercultural. Sendo original da Letónia, a Baiba salientou as exigências e dificuldades de criar a partir de referências culturais que não são as suas. Partilhou também a sua preferência por temas mais abrangentes, como o mar ou a tradição dos Caretos de Podence, sublinhando que estes lhe garantem uma maior liberdade de interpretação visual.
No final da sessão a escultora partilhou alguns dos desenhos originais da moeda «Literacia dos Oceanos» e com eles lançámos também um convite especial ao público: explorar os livros da coleção infantojuvenil do Museu Casa da Moeda, disponíveis para venda no stand da Imprensa Nacional Casa da Moeda na Feira do Livro.