Imprensa Nacional-Casa da Moeda

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda é uma instituição com uma rica história. A sua génese remonta à década de setenta do século XX, data em que tem lugar a fusão entre a Imprensa Nacional e a Casa da Moeda, mas várias instituições contribuíram para a sua formação. Compreender a história desta instituição significa falar do percurso desenvolvido por instituições autónomas na sua origem, de que são exemplo a Imprensa Nacional, a Casa da Moeda e as Contrastarias.

A Impressão Régia, também conhecida como Régia Oficina Tipográfica, é criada em 1768, passando a ser designada como Imprensa Nacional em 1833. Inicialmente a sua atividade desenvolve-se em instalações situadas na Rua Direita da Fábrica das Sedas, perto do Colégio dos Nobres, com entrada pela Travessa do Pombal, a atual Rua da Imprensa Nacional. A gestão da instituição esteve a cargo da Junta do Comércio, da Junta de Administração das Fábricas do Reino e Águas Livres, da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros e do Presidente do Real Erário. Em 1769 é incorporada na Impressão Régia a Fábrica de Cartas de Jogar e Papelões.

A Casa da Moeda segue, desde 1777, um percurso singular, ligado à criação do respetivo Cofre por iniciativa de Marquês de Pombal. Em 1845 tem lugar a fusão da Casa da Moeda com a Repartição do Papel Selado e a instituição passa a ser conhecida como Casa da Moeda e Papel Selado. Pela mesma altura, a empresa ganha uma posição de relevo na garantia de qualidade dos metais preciosos quando as Contrastarias se subordinam à Administração-Geral da Casa da Moeda e Papel Selado. Com D. Luís é decretada a criação das Contrastarias de Lisboa e Porto, subordinadas à Casa da Moeda. Posteriormente são criadas as Contrastarias de Braga e Gondomar.

Em 1895 tem lugar a demolição do edifício da Imprensa Nacional, por se considerá-lo inadequado para as necessidades de um estabelecimento fabril em funcionamento contínuo. Nesta data inicia-se a construção do edifício que ainda hoje se encontra na Rua da Imprensa Nacional, concluída em 1913. Processo semelhante será vivido pela Casa da Moeda, que entre 1938 e 1941 vê transferidos todos os seus serviços para o edifício modernista em que hoje se situa, na Avenida de António José de Almeida.

A viragem do século fica marcada pelo processo de modernização tecnológica das duas instituições, o qual teve como consequência a sua elevação ao nível das congéneres europeias. Entre 1910 e 1972, a Imprensa Nacional e a Casa da Moeda prosseguem projetos autónomos. Com a fusão entre a Imprensa Nacional e a Casa da Moeda em 1972, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 225/72, de 4 de julho, inicia-se a história da instituição que vem a receber a designação, ainda hoje presente, de Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Em 1933 é criado o Museu Numismático Português. A sua inauguração em 1946 marca um momento decisivo na divulgação do acervo numismático e medalhístico da INCM. Em 1986 é criado o atual Departamento de Contrastarias. A INCM passa então a dispor na sua estrutura de serviços próprios relacionados com a marcação e o controlo de artefactos de metal precioso. A transformação da INCM em sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos em 1999 assegura a manutenção e o desenvolvimento de todos os anteriores serviços.

A INCM é hoje uma das instituições portuguesas que apresenta maior longevidade. Entre as suas principais atribuições encontra-se a publicação do Diário da República e a produção de moeda. A sinergia de valências que está na sua origem é uma das suas marcas distintivas. A abertura do Museu Casa da Moeda em 2016 é também uma das etapas desta história. A sua inauguração vem dar resposta a um dos objetivos fundamentais da INCM, que é o de tornar acessível a todos o seu rico património numismático e medalhístico.