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De Lisboa a Goa
Moedas do Império Português na Ásia (séculos XVI-XVIII)

Mostra ao público uma seleção de moedas cunhadas em Portugal e na Índia Portuguesa durante os séculos XVI, XVII e XVIII, pertencentes à coleção do Museu Casa da Moeda. Produzidas para circulação nos espaços que integravam o Império Português na Ásia, estas moedas são um dos mais emblemáticos testemunhos das dinâmicas que, ao longo de cerca de trezentos anos, ajudaram a construir as redes de poder que marcaram a presença portuguesa no Oceano Índico.

Uma aventura à escala global

Nos inícios da época moderna, várias foram as cidades que desempenharam um papel de relevo na consolidação da presença portuguesa no oriente. Goa, Damão, Diu, Cochim, Baçaim e Malaca foram apenas algumas das cidades que mais se destacaram no quadro do projeto expansionista gizado por D. Manuel I nas primeiras décadas do século XVI. Para além de centros do poder político, estas cidades foram também importantes placas giratórias no processo de globalização da economia, alimentando a rede que ligava diferentes culturas à escala planetária. Nestes locais funcionaram também as principais casas da moeda associadas à presença portuguesa no oriente.

A tentativa de estabelecer o monopólio sobre o comércio das especiarias, até então nas mãos dos mercadores muçulmanos, levou D. João II a delinear um primeiro projeto de caminho marítimo para a Índia, mas este intento só se tornou possível com D. Manuel I. Foi com este rei que, pouco antes da viragem do século, Vasco da Gama comandou a primeira frota a chegar à Índia, contornando África em 1498, e Pedro Álvares Cabral aportou em Vera Cruz, terra que viria a ser conhecida como Brasil, em 1500.

1/2 Manuel
Cruzado

O Estado da Índia, fundado pouco após a expedição de Vasco da Gama, constituíu-se como a cabeça do governo das fortificações, feitorias e colónias portuguesas no oriente. Foi com Afonso de Albuquerque que se deram os passos mais significativos no sentido da consolidação da presença portuguesa no oriente: a derrota dos sultões de Bijapur, que favoreceu o estabelecimento dos portugueses em Goa, e a conquista de territórios aos sultões do Guzerate, como Damão, Salsete, Bombaim, Baçaim e Diu. D. Lourenço de Almeida foi o primeiro a chegar ao Ceilão. Mais tarde, os portugueses passaram a controlar também Macau, principal porto no comércio com a China e o Japão através da rota de Nagasáqui. Pelos meados do século XVI, os portugueses tinham garantido a sua presença em diversos lugares do oriente, controlando as rotas marítimas e exercendo domínio sobre vários enclaves territoriais de pequenas dimensões.

2 Tangas
1/2 Bastião

Moedas para o império

Entre as peças mais representativas desta exposição encontram-se o português, o pardau de São Tomé e o xerafim, para além da tanga e do bazaruco.

Os múltiplos e submúltiplos destas moedas, por vezes identificados nas respetivas faces, indicam que estas peças eram batidas para a satisfação de fins económicos diversos, indicador claro de uma economia viva. Portugal dispunha, nesta época, de moedas fortes, com as quais financiava as atividades relacionadas com o governo das fortificações, feitorias e colónias do oriente, bem como a diplomacia e o comércio com outras potências europeias e asiáticas.

Moeda mais variada devido aos diferentes metais em que foi produzida, o bazaruco traz a representação das armas do reino, acompanhadas por cruz equilateral ou por três setas montadas sobre arco, símbolo do martírio de São Sebastião. A roda de bazarucos traz, em contraponto, a representação das armas do reino associadas à roda, símbolo do martírio de Santa Catarina.

30 Bazarucos
2 Bazarucos

Colecionar e investigar

A coleção de moedas agora exposta tem uma longa história. Uma parte significativa destas moedas foi reunida no tempo do rei D. Luís, ficando exposta no Gabinete Real do Palácio da Ajuda. A constituição do fundo da Casa da Moeda, após a implantação da república em Portugal, levou à transferência destas moedas para a coleção guardada nesta instituição. O Museu Numismático Português incorporou todas estas aquisições e desempenhou, ao longo de várias décadas, um papel inestimável na preservação e divulgação destas moedas.

12 Xerafins
5 Xerafins de São Tomé

A criação do Museu Casa da Moeda, instituição sucedânea do Museu Numismático Português, procura dar resposta à necessidade de levar a fruição desta coleção a um público cada vez mais vasto, beneficiando de todas as potencialidades do universo digital. Para além da exposição que aqui se apresenta, esta coleção está integralmente disponível para estudo, com fichas e fotografias de alta qualidade, na página do Museu Casa da Moeda. Esta coleção de moedas é considerada, hoje em dia, uma das mais representativas do género a nível nacional.

1/2 Tanga
2 Xerafins
12 Xerafins

Brochura

A visita à exposição é complementada por uma apelativa brochura contendo textos numa linguagem ao mesmo tempo clara e rigorosa. Esta brochura apresenta o essencial daquilo que o visitante deve saber para compreender a importância das moedas expostas.

Pode aceder à brochura aqui